sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Caiçara Poética.


Praça Benedicto Calixto.sp.com
espaço Plínio Marcos - lufada inspiradora.
Cenários, além de atores, no encontro paralelo.
 
Parecem deslocados da maresia,
na ausência de estátua do Plínio,
a pesar no sebo armado, ao lado de pequeno arena.
 
Instigam reflexão, àquele de Santos,
quando lá geram um dizer poético seu,
na estranheza - ausente paisagem.
 
Pretenso público, sentado no arena...
audição pra sarau?
Há complemento disso, na praça do aquário.
 
Acolá hálito de gastronomia, substitui poema.
Ali só, brumas e fluidez,
testemunho não justifica.
 
Depara-se com a imensidão do mar, horizonte, céu,
estátua do pescador caiçara e seus ingredientes,
ao falar, aspira pertencimento, à vida.
 
Caiçara Poética - versos, musicados - Roque & Baraquet, no link: https://soundcloud.com/user109475440ricardoroque/caicara-poetica , dos dizeres de Ricardo Rutigliano Roque, no link: http://ricardorutiglianoroque.blogspot.com.br/2014/08/caicara-poetica.html .

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Matador de Aluguel .

 
espera clarear
o chão forrado de folhas -
noite alongada

 
Inocente protagonista, em seu quarto,
coadjuvante é expectador pra tevê,
platônica postura é induzida
com luzes na pele que escondem, no exterior,
a infância que lhe é roubada
relegando curiosidade ao marketing,
colhe emoção, sem sentimento, sem enxergar.

um arrepio
inesperadamente -
vento cortante


Caótico pensar, assim permanece
seduzido por simbólico fascismo
sem defesa crítica mais valiosa
na mente colonizada por falsa inocência
que permanece imposta
com realidade inventada insonsa
pra terra cheia de buraco só negro.

ao nascer da manhã
um trinar mata adentro -
pintassilgo a voar

 
Matador de Aluguel - versos, de Ricardo Rutigliano Roque, no link: http://ricardorutiglianoroque.blogspot.com.br/2014/08/matador-de-aluguel.html .

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

O Nome do Menino.

 
Desde sua Rua... - versos.
 
A rua recebe o sol da manhã e,
desde cima do Morro do Itararé,
desperta mais tarde a gente, com sombra
projetada na casa de um menino,
não alongada pelos raios de luz,
quase verticais
pra vencer o seu cume.


Mário deixa de ser,
homônimo, em seu gênero, ao Maria
de suas irmãs ou de ancestral,
sem nunca ter sido, em obstada proposta,
por compulsão daquele a um jogo de azar.
À sombra de gozosa vontade de gestar,
jaz o inominado ensejo.


Natividade que alça gratidão da prole,
agora cessada ou não,
por sua varonil chegada,
sem saber o nome, decisão fica pro nascimento.
O Sol nasce todo dia e tem um nome,
já aquele menino está prestes a se esparramar no mundo,
alvo da busca.


Nasce e faz sombra sobre o gestar,
agora obstado, de outros conceptos.
Ele já está grande, ao pegar um triciclo,
que é de todos, quando o joga
contra uma pilha de tijolos ali,
empilhados para tal, sobre a calçada...
outra barreira intransponível.
 
Há bola compartilhada no jogo de rua,
lançada ao roseiral, do jardim,
que a devolve, em algoz decisão,
findo entusiasmo por chutes imprecisos.
O mar está entre morros, assim,
sem ondas oceânicas,
em aparente breve travessia, desmentida.


Numerosas braçadas,
só cavadas na água,
que impulsionam sua prancha de isopor.
No outro extremo da ilha há um esforço,
desmedido, de seus bíceps e tríceps,
no ataque à curva rumo a um mar aberto,
numa baleeira, contra a maré enchente.


O rabiscar de sua protagonista caneta traz,
na escrita, no coadjuvante papel
o seu nome: Menino.
Sua mão está firme,
seguida por ideia.
À direita é escrito o que a mente apenas copia.
Ponta da caneta só aponta.


Os olhos veem, ainda sem enxergar,
no momento, há ali onde ele trabalha,
um ventilador em, assemelhado ficar,
volteios, de sua grafia azul depositada,
no papel que a recebe há linhas de outro tom azul,
que contrasta com o vazio,

sobre branca nuvem no céu.
 
O Nome Do Menino - conto.
 
  A rua recebe o sol da manhã e, desde cima do Morro do Itararé, desperta mais tarde a gente. Há sombra projetada na casa de um menino que, de tão próxima dali, não é alongada pelos raios de luz quase verticais pra vencer tamanho cume.
  Mário deixa de ser, homônimo em seu gênero ao Maria de suas irmãs ou de ancestral, sem nunca ter sido, em obstada proposta, por compulsão daquele ao jogo de azar. À sombra de gozosa vontade de gestar, jaz inominada, a sua ensejada natividade que alavanca gratidão da prole ou não, agora cessada por sua varonil chegada.
   - Qual o nome dado? Pergunta sua tia avó.
  - Essa decisão fica pro nascimento. Responde seu pai.
  O Sol nasce todo dia e tem um nome, já aquele menino é, prestes a se esparramar em seu mundo, alvo da busca do seu. Nasce e faz sombra sobre o gestar, agora obstado, de eventuais conceptos.
  Ele já está grande, quando pega um triciclo que é de todos. Joga-o contra uma pilha de tijolos ali, sobre a calçada, empilhados para tal impacto. Outra barreira está, intransponível à bola por ele compartilhada no jogo de rua, contida em roseiral, da jardineira que a devolve, em algoz decisão, findo o entusiasmo por chutes imprecisos.
  O mar está entre morros, assim protegido das ondas oceânicas, em aparente brevidade à travessia, desmentida por numerosas braçadas, cavadas na água, que impulsionam a prancha de isopor do menino. No outro extremo da ilha há esforço, desmedido de seus bíceps e tríceps, em ataque à curva rumo ao mar aberto, contra a maré enchente, na baleeira do clube de regatas.
  O rabiscar de sua protagonista caneta traz, na escrita, o seu nome: Menino, no coadjuvante papel.
  Sua mão está firme, seguida por sua ideia. À direita é escrito o que sua mente apenas copia. A ponta da caneta só aponta. Os olhos veem, ainda sem enxergar, o momento.
  Há, ali onde ele trabalha, um ventilador em assemelhado ficar, com volteios, de sua grafia azul, depositada no papel que a recebe. Já as linhas são de outro tom azul, que contrasta com o vazio, sobre branca nuvem que se deixa descortinar, pra visão do céu.

Desde Sua Rua - versos, e O Nome do Menino - conto, de Ricardo Rutigliano Roque, no link:  
http://ricardorutiglianoroque.blogspot.com.br/2014/08/o-nome-do-menino.html .

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Gisela.

 
tristeza sem fim,
primavera sem flor -
pergolado vazio
 
caso a Gisela cite uma poesia minha -
paciência em ler-me, sinta o sinal de sua fé -
resistência humanitária apaixonada, uma
crônica - denote um amor amadurecido...
um ensaio - perceba sua perseverança,
lapidada em expressão, poeta - sua paisagem,
que está visível desde lá - sua janela,
onde uma flor é uma flor - boa caminhada
 
a trilha de pedra
emoldura seu espelho -
rio de outono

Gisela - versos, de Ricardo Rutigliano Roque, no link: http://ricardorutiglianoroque.blogspot.com.br/2014/08/gisela.html

domingo, 24 de agosto de 2014

No Gonzaga, Meu Contexto.

 
No Gonzaga, Meu Contexto - versos.

pulsa enquanto tenta adormecer
mesmo com sobrevoo da aeronave
que só faz barulho...

será enxergada a formiga oprimida


as igrejas estão todas fechadas
a gente caminha ao redor da essência
mesmo que olhada já dentro de si
pro olhar coletivo está trancada


é noite... morro do vigia está majestoso
o hoje Monte Serrat sobre nossas cabeças
já tremula a bandeira
da territorial pátria


enquanto os símbolos estão só quietos,
sem palavra no obstado altar,
quebra o funicular na outra face
onde brada o homem só, no local


fraca é a brisa marinha
que para na barreira de concreto,
a única voz não ouvida, só escutada,
soou do carro na disputa fria


fração de segundo entre o fechar e abrir
à passagem humana que se impõe,
a cidade não é do carro,
não é minha e sim contexto


as árvores tem musgos
nos quatro quadrantes
onde ausentes estão os raios de sol...
a Era dá aroma na parede incólume ao vento


No Gonzaga, Meu Contexto - conto.
 
 Quatro igrejas aqui - Universal, Perfect Liberty, São José e outra. Há quatro sinagogas onde estive, mais cedo.
 - As igrejas estão fechadas?
 Todos caminham ao redor de sua essência, mesmo que olhada dentro de si, já que pro olhar coletivo estão de porta trancada... é noite.
 O morro do vigia está majestoso, hoje Monte Serrat, sobre nossas cabeças, onde tremula a conquista da territorial pátria. Enquanto os símbolos estão quietos - sem palavra oral, com o altar obstaculizado e o funicular sobre a outra face - onde reside o homem local.
 As árvores tem musgos nos quatro quadrantes onde ausentes estão os raios de sol. A Era tenta aromatizar a parede, incólume, ao vento fraco da brisa marinha que parou na barreira de concreto.
 A única voz não ouvida - só escutada, soou do carro, na disputa, por fração de segundo, entre o fechar e abrir à passagem, humana que se impõe: a cidade não é do carro.
 Não é minha cidade, apenas é meu contexto. Pulsa, enquanto tenta adormecer, mesmo com sobrevoo da aeronave que só faz barulho, pra mim. Será que enxerga, a formiga, que oprimida caminha?!
 
No Gonzaga, Meu Contexto - versos e conto, de Ricardo Rutigliano Roque, no link: http://ricardorutiglianoroque.blogspot.com.br/2014/08/no-gonzaga-meu-contexto.html .

Na Cadeira.


Você sustenta vida,
grave, mas descansada.
O cansaço sustenta,
há vida em você.
A vida se apoia...
 
delicada presença
jardim de outros matizes -
lírio da paz
 
No chão que a apoia
há solo gasto por
seus passos, seus caminhos
desembocam na vida...
no descanso sustentado.

Na Cadeira - versos, de Ricardo Rutigliano Roque, no link: http://ricardorutiglianoroque.blogspot.com.br/2014/08/na-cadeira.html .

Saudade.

 
Dia - boa manhã ensolarada,
na praia hoje com pequeno ao chão,
tão pequeno é, a memória praia
acompanha, no baixar de cabeça
pequeno foco - concretude norte
abstraída, intrépido convívio.
 
Como atrai contraste semente, praia
útero, onde pequenos criam, sente
a força com pequeno ao colo e peso
às costas... qual o que, sua leveza
sustenta demarcada maciez
suas areias, nuances vivenciam.
 
Querer estímulo, ator cenário
fundem contemporâneo e passado.
Longe do anacronismo o amanhã,
todavia boa, noite de lua,
mesmo só retorno, vira memória
olhar o ainda distante horizonte.
 
Saudade - versos, de Ricardo Rutigliano Roque, no link: http://ricardorutiglianoroque.blogspot.com.br/2014/08/saudade.html .