sábado, 2 de setembro de 2017

Manuel Florencio Paula Neto.

M anhã
A li,
N aturalmente
Ú mida
E
L anguida,

F aceiramente
L enta.
O lha
R efeito
E ntardecer,
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C om
I mensa
O ntologia.

P resta
A li
U m
L imite
À

N oite
E leita,
T raçada
O ntem.

rrr./

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

O sapato e o sapatinho.

Compra à credito protagonizada em filme, antes de greve em protesto à postura exploratória coadjuvante de patrões em indústria, em contraponto à atual servidão à dívida (*), longe de heróica ferramenta usada por "Os Companheiros"!
*
O sapatinho é a dívida
deixada no baile - shopping,
e o boleto é a meia furada,
que o príncipe - carteiro,
leva à porta - caixa postal,
da Cinderela!?

Não deixa de ser uma "Morte na Praça" (*) - Dalton Trevisan.

* livro que fui pegar na biblioteca Mário Faria, durante "Cine Letras".

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Diagrama de Gêneros Literários.

https://goo.gl/4xd1zU :


"A Luz da Outra Casa", de Pirandello, assim dissecado:

Conto: breve narrativa, centrada em um episódio da vida, com poucos personagens.

Pontos essenciais - elementos:

. ambientação - quarto de uma casa e sala de jantar de outra;

. perfil psicológico do personagem: vive à partir de um trauma;

. voyerismo - desde seu quarto observa o jantar de casa em frente;

. papéis trocados: de voyer à protagonista, ao fugir com a mãe da família observada, e antes disso de observador à observado!

. insatisfação: com suas lembranças de infância;

. alteridade: ao trazer sua amante pra observar a família desfeita dessa;

. inadequação: constrange a senhoria de seu antigo quarto, ao trazer ali a mulher conhecida, esta saída, agora, da família ao lado, fugida com ele seu inquilino;

. protagonismo: possessivo, como narrador onisciente - sabedor de afazeres do protagonismo, fora de cena, e de seu passado;

. personagens: a mãe de família, que passa, em troca de papéis, à mulher do protagonista principal;

. figuras arquetípicas: a senhoria, a solteirona, o voyer e os amantes;

. abordagem mítica: em torno de uma mesa de jantar, as gerações de uma mesma família;

. polaridade: entre mãe e filha à sós e vizinha com duas opções de vida;

. catarse: resgatar a atenção de sua genitora, através da sedução à mãe de outrém;

. sabedoria através do corpo: que estremece, ao choque de ter sido pego, e ganha autonomia à partir desse trauma;

. segurança no caminho: da ambientação de cotidiano.

. trama:

Drama é, ao expor o conflito do homem e seu mundo, e ao manifestar a miséria humana, verossímil, com seriedade. Início envolto em mistério, com o meio em sedução à leitura e com final impactante. Narrador na terceira pessoa, com conflito homem consigo mesmo, no tempo passado.

rrr./

Feito, tal dissecação à luz de um diagrama (*) e de anotações em oficina do Flávio (**).

*
http://ricardorutiglianoroque.blogspot.com.br/2017/08/diagrama-de-generos-literarios.html?m=1

** oficina "Como se tornar um escritor hoje": Caminhos da Literatura - 05/08 a 25/11/2017, de Flávio Viegas Amoreira, no SESC - Santos.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Ainda Lembro.

- Na primeira vez que a vi, em sua caminhada, tão despojada, e a sua graça livre como só, indo e vindo, à pé, como só a você caberia.
- Pavimentou nosso jardim, Amado, desapareceu o jasmim.
- Na mudança de postura, Amada, troquei a moldura.
- Na quebra do asfalto, o seu mangue, enfraquece o meu salto.
- Esse novo caminhar faz repensar.
- No aroma da flor alheia se ouve, apenas, canto de sereia.
- A culpa do muro é nenhuma no escuro.
- Chamou sua atenção, em híbrida maestria, cada impulso dado ao corpo, quando minha roupa remexia, louvando o existir, exitoso em meu desfilar, andando de mãos dadas com uma determinação: xamã da visão.
- Revivo dali o que o Espírito Santo, bondosamente onipresente, também vê: rapsódia de gente em sabedoria prazenteira.

rrr./

* http://ricardorutiglianoroque.blogspot.com.br/2017/08/ainda-lembro.html

domingo, 27 de agosto de 2017

Não.

Não.

o sol sonhado é
luz da lua cheia
no mar refletido.

Se sol não é pai,
lua não é mãe,
filho não é mar,
poesia não
seca minha água!

Poesia é curva
que não é achada -
não fica no chão.

rrr./

sábado, 26 de agosto de 2017

Por que a literatura em minha vida.



Minha resposta à pergunta -
- "Por que a literatura em minha vida?":
- Minha vida é aos tranquinhos, o que me impõe tal pauta, pra sentí-la com sabor de romance, senão viveria apenas uma novela; narrativa de quem escreva comédia, com fluidez e percepção durante vivenciados dramas; síntese de um haicai pra que não me arraste; tempo de crônica que me contenha; beleza em versos que me embale; idade de poetas que me acalante; calor em tertúlia que me esquente; proximidade em antologia que me inclua; papel em branco que me acolha; esperança em ousadia poética que me encoraje, frente ao medo; jogo de cintura em dureza que impere a gratidão em silente alteridade.

rrr./

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

"Habemus Tempo" em Queda Livre?

   Sem esse paraquedas falta, por não abrir à tempo, uma distância assemelhada àquela suave, mas bem mais ventilada, de meu par até à pouco tempo a meu lado - dono de tal artefato, para salto livre a mim emprestado - só até o chão.
   Mas neste não "habemus tempo", tão multiplicado quanto naquele. Nem cuspir-lhe posso, de minha seca boca, pois retroagida está a saliva à garganta, em minha ponta cabeça.
   - Solo pátrio, me receba! 

rrr./