domingo, 14 de setembro de 2014

Boia ou Escotilha.


Ausente visão do porão, pra maior sonho,
em local de oleosos cabelos, sem vento,
no anseio por sol. Quanto mais alto está,
ali, maior o balanço que embala sono.
 
Pergunta incauta: há porta que leve ao centro!?
 
...seu ausente lastro, com presente mareio -
potencializado, seu só por fora estar,
empresta, você, a quem só se agarra, mais,
à boia... cadê escotilha? ...dá visão!


a cada braçada
as cores passam -
beijinhos na margem
 
Boia ou Escotilha - versos, de Ricardo Rutigliano Roque, no link: http://ricardorutiglianoroque.blogspot.com.br/2014/09/boia-ou-escotilha.html .

sábado, 13 de setembro de 2014

O Rito.


O Rito - prosa, em sala de cinema.

Primeiro Ato.
pele adormece...
desde o sopé me aquece
uma boina de lã

- Há imagem de protagonista homem.
- Mantenedor - primeiro plano, é.
- Criativo e embebedado no sangue...
- ...de sua mulher esvaída, mas...
- Que escorrega, por trás dele, ou vai...
- ...pra dentro de reinventado ser.
- Protagonista é roteirizado.


Segundo Ato.

há ramas no chão,
batata-doce no fogo...
aroma e sabor

- Agora mantido, por subsídio.
- Protege, infantil postura, bem.
- Ao desaparecer dali - ação.
- Falta limite pra adolescente.
- Mostrado na cama - ela e ele.
- Subsidiado ser, recriado.
- Perseverança, premiada está.


Terceiro Ato.

caminho escuro -
andarilho percebe
a estrela de inverno

- Sucesso - clareza de ideia, há.
- Sublimados pensamentos - supridos.
- Real protagonista é adulto.
- Infantil, tentativa, à suprir.
- Emancipado pelo criativo.
- Autor, na condição de se fundir...
- Com amada, depende de carinho.


Quarto Ato.

em seu frescor
antecipa um sabor -
flor de abóbora

- Há crise, a autoridade ameaça.
- Adulto recorre, criativo é.
- Emancipado, na clareza, está.
- Propositada proteção - criança.
- Rebela-se, adolesce - por si.
- Em coadjuvante postura, adianta.
- Há autoridade: vitimizada.


Quinto Ato.

corrida pela praia
os corpos agora lavados
pela chuvarada

- Querer roubar, a cena, submissa.
- Enquanto isso o criativo corre...
- Pra emancipar, autoridade, sábio...
- Com conhecimentos sejam poupados...
- A criança e o adolescente.
- "Pulmões de homem, coração de pássaro..."
- Mundo com plenitude conquistada.


O Rito - prosa, de Ricardo Rutigliano Roque , no link: 
http://ricardorutiglianoroque.blogspot.com.br/2014/09/o-rito.html .

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

A Três Braçadas de Camus.


A Queda.
  - Tão baixo está nosso avião quanto as águas daquele canal, que apontam a praia!
 - Até acabei de ver a estátua do Padre Voador,  Bartolomeu de Gusmão, o seu predecessor.
  - Eu sempre piloto em obediência à ordem, natural, das coisas.
  - Parabéns.
  Mancha no azul do céu - galho com algodão rabisca de branco.


Há condicionado ar...
numa bolha em seu céu
é vencida a turbulência -
só há nuvens carregadas
pra aquele ao lado, sentado.
 
Secura o faz piscar,
saliva umedece lábios,
em estalos inaudíveis...
passos ecoam, no vazio
dalma, à altura se projetam.

 Buuuuuuuuuuuummmmm...!!!!!!!!!!!!!!!!!

 

A Fome.
  - Ah... os dentes dele, postiços, saíram!
  - Cuidado com a pata...!
  - Você - pai, não viu seu filho perder o braço?
  Gira na mão, movido à correria - vermelho catavento.
  - Não... Eu estava com olhos cheios de lágrimas, de alegria agora frustrada, desde a primeira investida do tigre, naquela jaula.



O Topo.
    Tudo e todos apoiados naquele palmilhado chão, agora breu, daquele quase cego.
  - Como você anda e não cai daqui de cima...!?
  - O tempo... sem vento, me ajuda.
  - Bom dia, então... por onde passa, pra sair?
 - Indo em direção à cerca, recém consertada, de bambu.
  - Onde fica?
  - Lá... de onde eu vim.

   Cachos pendem... eleva-se o olhar - florida Sálvia.
  Com habilidade rodopia o cajado, que para, próximo à face de seus atônitos interlocutores... a afiada lâmina da foice aponta.
  Morro - tão vivo, do Itararé... topo quase celeste.
 
A Três Braçadas de Camus - prosas, de Ricardo Rutigliano Roque, no link: http://ricardorutiglianoroque.blogspot.com.br/2014/09/a-tres-bracadas-de-camus.html . 

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Sua Música.

 
Você traduz partido alto
qual areia induz
andar sem salto.
 
Venha de longe
chega mais perto
sua voz é meu dado certo.
 
Canal leva meu pensamento
pra maré balançar o firmamento.
 
A vida lá fora
ao som transcendo
letra atrás desse momento.
 
Sua Música - versos, de Ricardo Rutigliano Roque, no link: http://ricardorutiglianoroque.blogspot.com.br/2014/09/sua-musica.html , musicados em parceria - Roque & ... , no link: https://soundcloud.com/user109475440ricardoroque/sua-musica .

domingo, 7 de setembro de 2014

Ausente Presença de Figura Infinita.


Morre, ao escolher, seu apenas ver
assombrado, ou concebe devaneio
com infinito olhar vivificado.
Receptivo desejo, dá vazão!
...contínuo, deitar em sua cama,
sonho desperto, vê-la tão carnal -
aroma inspirado, idealiza,
vive em face humana partilhada.


no zumbir da chegada -
abelha com alimento
elege a rainha


Idealizada presença, densa,
poética colhida a seu tempo,
término laboral retido em ganhos,
entregues, dia a dia, em atenção.


colher no pé
uma vermelha amora
hum! sorvê-la com gosto


Perpetuada em saborosas frutas,
recebida vitalidade suas,
conquista concebida, preservada,
bons momentos - recorrentes chegadas.


prenúncio de brotos
na estação de trem -
chuva criadeira


Livre entre as costuras, que deixam
antever suas curvas, reentrâncias...
querer gestual - sentí-la mulher,
antes de conhecê-la, desejá-la,
antes do sono possuí-la, ser
invasor das paragens, só coberta
tecida, em algodão, que embala sonho -
nutrido dizer, ao ouvir... amado.

Ausente Presença de Figura Infinita - versos,
de Ricardo Rutigliano Roque, no link:
http://ricardorutiglianoroque.blogspot.com.br/2014/09/ausente-presenca-de-figura-infinita.html .

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Abelha.


no zumbir da chegada -
abelha com alimento
elege a rainha


cachos pendem...
eleva-se o olhar -
florida Sálvia
 
 
Abelha - haicai, de Ricardo Rutigliano Roque, no link: http://ricardorutiglianoroque.blogspot.com.br/2014/09/abelha.html .

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

O Mickey Não Veio.

 
   - Mickey - este você chama, por favor, pra mim? - à paciente já consultada.             
   Não escuta, ou será que não veio?!
   - Seu nome deve estar na agenda. - à enfermeira.
   - Só se estiver no banheiro! A sala de espera está cheia. Dá uma olhada...
   - Espera aí. É surdez do Mickey ou...? o clips cobre o "L"!
   - Micheeeely?!
   - Pronto... sou eu.
   - Agi como o Pateta! ...também, voz do Pato Donald, nesse barulhão...!
   - ...já vi de tudo, mas Mickey?! Michely aqui é, na letra feia e sacolejar do caminhão em rua de pedra, uma roça sem chuva!
   - Você dá fé pública do ruído e audição, em reclamação?

   Sinto que os pingos caem da folha, mas é a força do vento que balança o chorão.
   - Pra não dizer que não falei em pé de chumbo... eu engraxo e batuco, denúncia do silêncio roubado, na caixa de sapateiro do Pelé Museu, ao lado.

Conto, de Ricardo Rutigliano Roque, no link: http://ricardorutiglianoroque.blogspot.com.br/2014/09/o-mickey-nao-veio.html .